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Mostrando postagens de abril, 2018

Poesis

A poesia me visita todos os dias. Quando a filha traz uma flor pequena, roubada de algum jardim... Quando o dia amanhece e o filho, recém desperto, diz... "mãe, tô melhor" - depois de dias consumido pela febre. Quando os dois silenciam, e logo os descubro sentados no chão, cada um com um livro. Por onde olho eu encontro a poesia. A poesia na cozinha tem muitos cheiros e sabores... arroz com feijão, café com leite, bolo de cenoura com chocolate, chá de hortelã com camomila. No jardim a poesia tem cheiro e cor de lavanda. A noite traz a poesia dos filhos adormecidos, e o silêncio contemplativo. As estrelas no céu me trazem a luz e a poesia do passado. A poesia só não me agracia com suas palavras... sua métrica, sua musicalidade, todas suas belas e admiráveis rimas... Pródiga, sempre ao alcance do meu olhar, nunca se permite tocar.

Descanso

Hidratou os pés, tanto como lhe foi possível, calçou as meias mesmo preferindo ter os pés descalços (descalços é tão mais bonito que barefoot) e pensou na poética de Aquiles... será que ele também tinha os pés agrietados?

Além das margens

Trans-bor-dar: vtd, vti, vint. 1. Ultrapassar as bordas de; ir (o rio) além das margens. Dicionário da Língua Portuguesa comentado pelo professor Pasquale. Barueri, SP: Golf Editora, 2009. Talvez porque já tenha passado tempo demais. As horas derramadas em dias, os dias em semanas e meses... Quantos anos já se passaram? Afinal, quantas palavras são necessárias para contar (conter?) aquilo que transbordou? O que transborda precisa ser contido? Ou, mais bem, contado?