Hidratou os pés, tanto como lhe foi possível, calçou as meias mesmo preferindo ter os pés descalços (descalços é tão mais bonito que barefoot) e pensou na poética de Aquiles... será que ele também tinha os pés agrietados?
A poesia me visita todos os dias. Quando a filha traz uma flor pequena, roubada de algum jardim... Quando o dia amanhece e o filho, recém desperto, diz... "mãe, tô melhor" - depois de dias consumido pela febre. Quando os dois silenciam, e logo os descubro sentados no chão, cada um com um livro. Por onde olho eu encontro a poesia. A poesia na cozinha tem muitos cheiros e sabores... arroz com feijão, café com leite, bolo de cenoura com chocolate, chá de hortelã com camomila. No jardim a poesia tem cheiro e cor de lavanda. A noite traz a poesia dos filhos adormecidos, e o silêncio contemplativo. As estrelas no céu me trazem a luz e a poesia do passado. A poesia só não me agracia com suas palavras... sua métrica, sua musicalidade, todas suas belas e admiráveis rimas... Pródiga, sempre ao alcance do meu olhar, nunca se permite tocar.
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